Para alcançar seus objetivos, a Coordenadoria busca aprofundar o elo no atendimento ao portador de deficiência, atuando em conjunto com as entidades que possuem o apoio da Prefeitura para realizar campanhas relativas aos direitos destas pessoas. Desenvolve também ações formativas com os servidores que atuam no Governo e junto à comunidade em geral, objetivando promover a interação com as pessoas portadoras de deficiência, articular políticas e ações em parceria com os Conselhos Municipais e entidades afins. Elabora e apresenta, ainda, projetos junto aos governos Estadual e Federal e tudo o mais inerente aos encargos legais e atribuições do cargo.
A CPPPD, coordenada por Darwin Frederico Kremer, planeja, acompanha e articula políticas públicas para as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, principalmente nas áreas de saúde, educação, geração de trabalho e renda, de acessibilidade, cultura, de assistência social e transporte. Desenvolve esse trabalho junto às Secretarias e Órgãos de Governo, desempenhando papel fundamental em prol dos portadores de deficiência.
Com o objetivo de realizar um trabalho de inclusão social do portador de deficiência na sociedade, lutando, assim, contra o preconceito, a Administração criou a Coordenadoria de Políticas Públicas para Portadores de Deficiência.
A CPPPD tem como lema: ‘‘trabalhar juntamente com as entidades, sociedade e com as Secretarias, visando a inclusão do portador de deficiência em todos os setores da sociedade”.
A rede de ensino de NH apresenta cerca de 700 alunos com algum tipo de deficiência que são atendidos em serviços especializados, como Apae , NAP e em Salas de Recurso (conforme a necessidade, instala-se uma SR em uma escola sede e esta atenderá os alunos das escolas que fazem parte do núcleo).
ESTUDO DE CASO
ALUNO - Lucas B.
A Dificuldade de Aprendizagem manifesta uma significativa discrepância entre a sua inteligência e os resultados escolares. É uma criança de inteligência normal que não apresenta qualquer insuficiência mental, mas que no entanto não aprendeu a ler ou a escrever.
Foi observado no aluno:
Problemas psicomotores - não foi identificado problemas de hiperatividade ou hipo-atividade, relacionados com a tonacidade. Há problemas de lateralização, equilíbrio, dissociações e coordenação de movimentos, deficiente estruturação do espaço e do ritmo.
Problemas emocionais - não apresenta instabilidade, dependência e dificuldade de ajustamento grupal
Problema de simbolização - não apresenta dificuldades de diferenciar o significado de estímulos que geram dificuldades de compreensão da linguagem falada.
Problemas de atenção - pequena dificuladde em focar e fixar a atenção. Às vezes está desatento e distraído. Não apresenta irritabilidade que dispersaria a sua atenção muito rapidamente.
Problemas perceptivos - não tem dificuldades de identificar semelhanças e problemas de interpretação das sensações, mas apresenta grande dificuldade na cópia, confusões espaciais, invertendo figuras e letras.
Problemas de memória - tem dificuldades em estabelecer associações significativas de experiências e acontecimentos.
ESTUDO DE CASO
NOME - Lucas
IDADE - 12 anos
SITUAÇÃO FAMILIAR - pais separados e uma irmã mais velha com surtos psicóticos
CONDIÇÕES SÓCIO-ECONÔMICAS - a situação não é das piores. Possuem casa própria (o aluno mora com a mãe e irmã). O pai mora em uma chácara e possui 2 carros.
Quando a irmão entra em surto, o Lucas fica com medo e esconde-se debaixo da mesa.
Mais sobre o Lucas ...
Comportamentos observáveis na escola sobre:
* Relacionamento com:
Professoras e funcionários - O Lucas é um menino muito querido por todos. Com as professoras e professores é educado e gentil. Gosta de conversar, apesar da timidez.
As "tias" da escola acham ele "um amor".
Colegas - Com eles, o Lucas fala pouco e nota-se que ele sente vergonha, talvez por não conseguir acompanhar as atividades como eles, tendo, muitas vezes, atividades diferenciadas para fazer.
Quase sempre brinca isolado no recreio. Na educação física, está, aos poucos, interagindo e participando mais.
* Questões de aprendizagens
O Lucas tem muita dificuldade na aprendizagem.
Mesmo estando no 4º ano, não reconhece todas as letras do alfabeto. Não identifica números e quantidades. Ainda está em processo de aprendizagem na pintura e recorte.
* Movimento para a inclusão da escola
Na verdade, pouco se fez, até agora, para a adaptação do Lucas e apoio ao mesmo.
Até o ano passado, nunca foi dada a atenção que o aluno necessitava. Ele era tratado como um aluno "fraco", mas não como uma inclusão.
Então, já no 3º ano, a professora que trabalhou com ele, notou que ele era um aluno especial, que precisava de um trabalho específico. Só então, a escola passou a ver o Lucas.
Ele aprendeu a escrever o seu nome e outras coisas mínimas, mas que já foram um paso a frente para a sua aprendizagem.
Não houve adaptação curricular específica para ele, apenas trabalhos diferenciados, de acordo com o seu nível de aprendizagem.
Sua avaliação é diferenciada dos outros alunos, com certeza. No final do ano ele é promovido.
O Lucas, além do reforço escolar, dentro do seu período de aula, participa da Sala de Recursos, na escola vizinha.
* Envolvimento da família no processo de inclusão escolar
A família pouco se envolve no ambiente escolar do Lucas. O protegem bastante acham mais fácil fazer as coisas por ele. Agora, estão procurando ajuda médica.
FALANDO UM POUCO DAS SALAS DE RECURSOS DA REDE MUNICIPAL DE NH
No município de NH, há 56 escolas municipais, dentre elas existem 27 Salas de Recursos. Nas escolas em que não há SR, seus alunos são atendidos em SR próximas.
O objetivo das SR é constituir um espaço pedagógico que contemple um olhar psicopedagógico de investigação, intervenção e apoio ao processo de aprendizagem.
O atendimento ocorre uma vez por semana, durante uma hora, em grupos de no máximo quatro alunos, sendo na maioria dos casos, no turno contrário de aula.
Os alunos atendidos são selecionados pela coordenadora pedagógica da escola, sendo enviada ao professor da SR uma ficha constando informações relevantes sobre o histórico escolar do aluno e sua situação atual. A partir dai, é agendado com os pais ou responsáveis pelo aluno, uma entrevista onde será explicado o trabalho e será feita a anamnese (história de vida da criança).
A partir disto, o aluno passa a ser atendido.
A cada três meses, o professor da SR faz uma devolução do trabalho realizado ao professor deste aluno, juntamente com a coordenação pedagógica da escola que ele frequenta. Neste momento, são discutidas formas de intervenção a serem realizadas com o aluno, bem como sua postura, seu desenvolvimento no espaço escolar e em relação à aprendizagem.
Quando o aluno atinge os objetivos propostos na SR, refletindo no seu processo de aprendizagem, é dispensado do atendimento.
Na Sala de Recursos, busca-se...
- investigar o motivo da dificuldade de aprendizagem apresentada pelo aluno
- proporcionar um espaço de diálogo onde o aluno possa expor suas dúvidas, angústias, conquistas e frustrações
- trabalhar a autoestima, enquanto sujeito aprendente
- auxiliar no desenvolvimento da autonomia do educando
- descobrir quais as questões no processo de aprendizagem que o aluno domina e propor intervenções para que ele avance em seu desenvolvimento cognitivo.
AVALIAÇÃO INICIAL, DIAGNÓSTICO, ENCAMINHAMENTOS, ATENDIMENTOS COMPLEMENTARES E PROCESSOS INVESTIGATIVOS
Desde que o Lucas iniciou na nossa escola, na 1ª série, ele foi visto como um aluno com muitas dificuldades. Sempre foi falado, nos Conselhos de Classe, por exemplo, que o Lucas era um aluno que necessitava de uma atenção e atividades especiais. Mas, nunca havia sido considerado como um aluno de inclusão. Somente no ano passado isto aconteceu.
Então, a família foi incentivada a procurar um médico para ser dado um diagnóstico.
Foram feitos exames, segundo a família, sendo que os mesmos não apresentaram nenhum problema específico (físico e neurológico). Os médicos disseram que, provavelmente, seu problema é psicológico.
Então, encaminharam o Lucas para um atendimento com psicólogos, pois seu problema aparenta ser de ordem emocional.
Deste modo, a família está esperando o atendimento com psicólogos (mas, como sabemos, no SUS é muito demorado).
O Lucas continua indo na Sala de Recursos e com reforço especial na escola.
AVALIAÇÃO
O Lucas é um aluno que, apesar de já estar no 4º ano, não reconhece todas as letras do alfabeto, nem números e quantidades. É muito infantil e inocente e se perguntado qual é a sua idade, não sabe dizer.
A cada avaliação trimestral, o Lucas é avaliado somente com parecer descritivo que procura elencar os seus progressos. Mas, nem sempre isto é possível, pois, na maioria das vezes, o que mais aparece é aquilo que ele ainda não consegue fazer.
Apresenta dificuldade na representação da função simbólica.
Desde quando comecei a ter um maior contato com o Lucas, minha visão sobre ele mudou bastante. Além de eu estar fazendo o estudo de caso, também dou reforço semanal para ele.
Apesar de conhecê-lo a uns três anos, mais ou menos, nunca tinha tido um olhar mais especifíco e atento por ele.
Tendo mais momentos de contato pude ver o menino que é cheio de medos, vergonhas e, principalmente, possibilidades.
Eu nunca tinha ouvido o Lucas conversar, pois estava sempre quieto e escondido. Depois que começamos a nos encontrar mais seguido, senti que a confiança em mim aumentou, o que fez com que ele se soltasse bastante.
Agora, está falante, sorridente e demonstra uma maior confiança na realização das tarefas.
Com certeza, para mim, é um outro menino, ou melhor, é o menino que está ali camuflado e que não se mostra por esse ou por outros motivos que desconhecemos...
Achei bem significativa esta passagem do texto "Práticas educativas:perspectivas que se abrem para a Educação Especial", de Anna Maria Lunardi Padilha:
"Para ele, n
sim, as conseq
segundo Vigotski n
o passado, mas deve visualizar o futuro da personalidade:
compreender a vida em seu
possibilidades, olhar dialeticamente para os fen
teoria da estrutura da personalidade e do car
introduz a perspectiva de futuro
O problema, a defici
para as capacidades, encontra fontes de for
tem diante de si o pedagogo quando reconhece que o defeito n
ão é o defeito que decide o destino das pessoas, mas,üências sociais desse defeito. A análise dos problemas,ão deve ser retrospectiva, apenas levando em consideraçãoé indispensável“movimento eterno”, descobrirômenos humanos: “naáter, a nova compreensão” (1989, p. 30).ência, o defeito, no lugar de marcar limites, apontaça – “que (quantas!) perspectivasão é
s
capacidades e que no defeito h
ó uma deficiência, uma debilidade, senão também, a fonte da força e dasá algum sentido positivo!” (Ibidem, p. 31).
Comments (6)
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 9:36 pm on May 3, 2009
Carmen, gostarias que relataras mais as tuas alunas com paralisia cerebral e com sindrome de down, como elas são?, como se comportam na sala de aula?,quais os problemas cognitivos que apresentam?, com isto fica completa a tua atividade
Abraços
Maria del Carmen
lpasserino@... said
at 8:45 pm on May 12, 2009
Carmen
me fala mais sobre as salas de recursos...quantas existem? como funcionam?
lili
lpasserino@... said
at 8:46 pm on May 12, 2009
O caso selecionado é muito interessante Carmen, complementa agora na unidade 4 o perfil do mesmo.
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 8:10 pm on May 26, 2009
Olá, Carmen, podes nos contar mais sobre a vida do "Lucas", assim fica mais completa a atividade.
Abraços
Maria del Carmen
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 8:13 pm on May 26, 2009
Carmen, tambem quero te lembrar que ja esta em andamento a unidade 5
Abraços
Maria del Carmen
liliana said
at 9:26 pm on Jun 24, 2009
Oi Carmen
passei aqui, percebo que tens avançado um pouco, mas estamos já na unidade 7. Não encontrei os elementos solicitados na unidade 5, 6 e 7. Aguardamos teu envio, por favor nos avise quando o fizeres ou entra em contato em caso de dificuldades.
abraços
liliana
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